Hope for Haiti na sala, cenas de tristeza.
Pesar. A cabeça a mil.
Corta.
Eu - Essa música é foda. O cara que cantava ela era muito foda.
Redundância e falta de trato. Coisas de quem fala muito mais rápido do que consegue processar a mensagem.
Minha Mãe – Quem é?
Eu – Jeff Buckley... Morreu afogado.
Minha Mãe – É um daqueles dois que morreram afogados hoje? De uma banda que ia fazer Show no Brasil?
Pois é. Depois me perguntam por que eu não vejo televisão...
Ontem mesmo, enquanto ia ao trabalho, vi no jornal da manhã um simpático e entusiasmado “Bom dia!” que até me fez sorrir reciprocamente para a televisão. Entretanto, a repórter conseguiu arruinar o meu interesse no noticiário quando juntou, quase sem vírgula, ao cabeçalho:
“Hoje, 21 de Janeiro de 2009” o “mais nove pessoas morreram no desastre...”.
Daí pra frente eu deixei os taxistas assistirem em paz.
Volta.
Eu – Não. Ele morreu faz tempo... E não foi no Brasil. Mas... ai meu Deus! Você sabe o nome da banda?
Desespero. Horror. Tensão.
Minha Mãe – Ai Vanessa...Não sei...
Muito desespero. Muito horror. MUITA tensão.
Da última vez que ela me veio com essas notícias de “Você viu quem morreu daquela banda...”, morreram todos os caras do Mamonas.
Silêncio.
Eu - Ai meu Deus do Céu...Só me falta... Metallica?
Minha Mãe – Nãaaao... Metallica não.
Eu - Ai meu Deus! Cold Play? U2?
Pânico.
Cara de choro.
Minha Mãe – Ai não sei... É um nome DO TIPO DESSES...
Muito Pânico.
Choque.
Silêncio.
Eu - Mãe, "do tipo desses" não é referência...
Minha Mãe – Olha na internet...
Muita cara de choro.
Eu – Eu não quero ver isso agora... (Tipo, não com os olhos marejados)
Olho pro lado tentando afastar minha agonia e distrair meus pensamentos. E voilà:
A TV.
O foco vai para um menino Haitiano que aparenta uns 7 anos, no máximo.
Penso nos meus irmãos com seus respectivos 7 e 8 anos. Ou 8 e 9...Nunca sei. Ele - o menino Haitiano; foi resgatado depois de 8 dias sob escombros.
Olho pro teto. Olho pro lado.
Olho pro chão.
Sinto peso na consciência por ter passado a manhã, tarde e uma parte da noite trabalhando.
“Carpe Diem.”
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxMentexhistéricaxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Raiva pela pobreza na qualidade da informação recebida da minha mãe.
Conecto a internet.
Alívio.
Peso na consciência por ter sentido alívio.
O que segundo a minha mãe é um NOME TIPO DESSES, não tem nada a ver e eu nem conheço a banda.
"Menos mal.”
Penso sobre minha reação. Como é estranho sentir falta, tristeza, alegria por alguém que nem se conhece...!
Penso como é ruim pensar um “que bom que não ele não morreu” e desconsiderar totalmente a morte de outro alguém.
"MENOS MAL?!?!!”
Lembro das tantas vezes que fiquei triste pela morte de alguém que “conheci” depois de sua morte.
Lembro do que disse a Cris Guerra em um de seus inúmeros e tocantes posts... Algo como “Mais de 300 mortos no acidente da TAM e eu nem ligo. Mas você se foi, apenas um, e meu mundo caiu.” Não tenho disposição para procurar a citação original agora. Entra lá. É um bom site para refletir.
Concordo com ela.
Lembro da raposa do Pequeno Príncipe.
Vejo a idade das vítimas da banda que eu nem conhecia, e provavelmente não iria curtir. ( É Death Metal.)
Fico Triste.
Vejo o nome da banda. “After Death”. Penso na ironia.
“So what happens then? Hunh?”
Me volto para a TV:
Cold Case.
Tudo hoje na vida, parece só morte.
“Meu tempo está passando...”
Escuto mentalmente, uma música do Cranberries .
Nó na garganta, decido ir dormir.
Amanhã tem mais. (Ou não?)
Ha-h. Gostei do estilo do teu texto. =)
Posted by: Grαчcє Kєllч . | 01/23/2010 at 12:45 PM